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quinta-feira, 23 de julho de 2026

JORNADA GLOBAL ANTIIMPERIALISTA * Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB

JORNADA GLOBAL ANTIIMPERIALISTA
GRANDE JORNADA DE MANIFESTAÇÕES
13 DE AGOSTO DE 2026
"NOTA DA FRT


Chamamento aos povos oprimidos do mundo: fortalecer as Jornadas Anti imperialistas como primeiro passo para a construção de uma Frente Internacional de combate dos povos contra o Imperialismo e seus lacaios

A Coordenadora Tricontinental Antiimperialista de los Pueblos está convocando para o dia 04 de julho, as Jornadas Antiimperialistas dos Povos. A data, celebrada pelo imperialismo, marca o 250° aniversário da independência dos Estados Unidos da Grãn- Bretanha.

Organizações revolucionárias e dos movimentos populares, agrupados na Coordenadora Tricontinental de los Pueblos, abarcando praticamente toda a América Latina, convocam manifestações e atos políticos unificados e coordenados em nível continental contra o Imperialismo. Não é preciso dizer que tal iniciativa política ganha cada vez mais importância num contexto marcado por uma ofensiva mundial das forças imperialistas e abertamente fascistas contra os povos trabalhadores e oprimidos.

Na atual quadra histórica, o imperialismo americano e seus vassalos em todo o mundo, recrudescem seus crimes abomináveis em praticamente todos os países da periferia capitalista. Essa ofensiva guerreirista e neocolonial, é parte central do projeto imperialista e das burguesias reacionárias, que almejam reconfigurar o capitalismo mundial diante de sua grave crise histórica.

Os senhores imperialistas estão neste momento, travando uma guerra de morte contra a humanidade inteira.
O genocídio sionista/imperialista contra Gaza, é o padrão de barbárie que planejam estender em nível mundial contra povos rebeldes e países alvos da sanha colonial e de pilhagem.
O que estamos presenciando no Líbano, arrasado pelos terroristas sionistas; no Irã, atacado covardemente; Venezuela, que teve seu presidente sequestrado através de um ato de terrorismo estadunidense; Cuba, estrangulada por uma guerra multifacetada e ameaçada de ser atacada militarmente de forma direta, etc., são partes do projeto imperialista dos Estados Unidos de impor uma ditadura imperial global e uma dominação de tipo colonial contra os países dependentes e/ou periféricos.
O crescimento da extrema direita fascista e terrorista no mundo, expressa de forma cabal essa tentativa do capital em dar um "salto para frente" diante de sua grave crise civilizacional. O Imperialismo estadunidense como o chefe de fila do capitalismo mundial, é o espelho dessa tendência, das mais destrutivas do atual regime burguês em franca decadência.

Na América Latina, os terroristas que ocupam a Casa Branca buscam implementar um caos planejado para facilitar sua dominação colonial contra nossos povos. Sua arma contra nossos países, são os tradicionais peões e lacaios entreguistas de sempre: as burguesias crioulas, seus serviçais e titeres entre as forças militares, políticos profissionais direitistas, ou da "esquerda " da ordem, juízes e jornalistas da grande imprensa, etc.

No entanto, os abutres imperiais e seus sócios capitalistas locais, estão se deparando com lutas revolucionárias concretas de povos rebeldes e iracundos, como na Bolívia, que por suas vez, é expressão das tendências muito claras, de que no próximo período veremos a radicalização das lutas populares em todo o nosso continente como a experiência histórica nos tem demonstrado.

A derrota imperialista humilhante sofrida no Irã; a resistência palestina e libanesa contra o monstro sionista, mostram o caminho a seguir, para todos os povos ameaçados pelo imperialismo. Somente a dura batalha de um povo consciente de seus interesses, organizado, disciplinado e disposto a grandes sacrifícios, pode derrotar os maiores inimigos da humanidade, que são o Imperialismo e seu cão sionista.

É nesta perspectiva revolucionária e de luta, que a Coordenadora Tricontinental de los Pueblos, convoca em toda a América Latina, a Jornada Antiimperialista no dia 24 de julho. Estão convocados atos e manifestações políticas sincronizadas e coordenadas internacionalmente em apoio aos povos de Cuba e Bolívia, que resistem heroicamente ao monstro e nos dão grandes exemplos de resiliência e combatividade.

Na ocasião, também comemoramos o centenário do comandante Fidel Castro, um dos maiores revolucionários e lutador antiimperialista de Nossa América e um exemplo para nossos povos.

A Frente Revolucionária dos Trabalhadores (FRT)

confirma sua adesão às Jornadas e reforçamos o chamado ao povo brasileiro e às organizações de luta dos trabalhadores para que somemos forças, na luta antiimperialista em nosso continente.
Viva as lutas de todos os povos do mundo contra o imperialismo e o sionismo!
Viva o centenário do comandante Fidel Castro!
Golpear o imperialismo em toda a Nossa América!
Construir a Jornada Antiimperialista de los Pueblos!"

sábado, 23 de maio de 2026

AVANTE BOLÍVIA INSURGENTE * Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB

AVANTE BOLÍVIA INSURGENTE
O levante popular na Bolívia: um potente e inquebrantável exemplo aos trabalhadores latino-americanos


A guerra de classes se radicaliza na Bolívia. O país andino vive claramente uma situação que podemos considerar pré-revolucionária, marcada por uma greve geral radical que já dura mais de vinte dias, mobilização permanente das massas trabalhadoras, sobretudo mineiros, professores, camponeses e povos indígenas.

O proletariado e as massas populares bolivianas dirigidas pela Central Obrera Boliviana (COB), têm como norte central de sua potente mobilização, a renúncia do presidente entreguista Rodrigo Paz, eleito há seis meses.

Paz, apesar de sua demagogia no período eleitoral, prometendo um “capitalismo para todos", tem como eixo de seu governo vassalo, a entrega aos grupos estrangeiros dos recursos naturais bolivianos como o lítio; propõe uma nova lei fundiária que na prática expropria dos campesinos indígenas suas terras, fator que certamente provocaria uma concentração latifundiária sem limites e desestruturaria por completo o país, que possui uma enorme massa indígena de pequenos camponeses que foram beneficiados pela reforma agrária de 1952.

Também, o governo direitista de Paz implementa um ajuste estrutural neoliberal, que tem agravado a crise econômica e social que mergulha o país, recrudescendo a pobreza das massas, a dependência, o subdesenvolvimento e a total instabilidade política que toma conta da Bolívia já há quase dez anos, desde o contexto da campanha golpista que derrubou Evo Morales em 2019.

A Bolívia têm sido palco nas últimas décadas, de uma admirável capacidade de organização e mobilização de sua classe operária e das massas populares, sobretudo os povos indígenas. Na verdade, o povo trabalhador boliviano possui uma honrosa tradição revolucionária e de lutas, basta lembrarmos da revolução de 1952, onde, segundo o grande pensador marxista boliviano Renê Zavaleta, houve no país uma situação clara de dualidade de poderes, muito semelhante ao que aconteceu na revolução russa de 1917 (Renê Zavaleta, “El Poder Dual”).

Já no período mais recente das últimas décadas, as massas bolivianas protagonizaram verdadeiras e heroicas revoltas populares, como por exemplo, a conhecida “guerra da água” em Cochabamba, no ano 2000. Nesta ocasião as massas trabalhadoras e indígenas se insurgiram contra a privatização e entrega às multinacionais imperialistas, do sistema municipal de águas, elevando drasticamente os preços das contas e tornando praticamente inviável as condições de sobrevivência da população empobrecida e seu acesso a água potável, num país onde seu povo possui vínculo muito estreito e tradicional com a natureza, por ser em sua maioria, herdeiros diretos dos povos originários.

Tais revoltas populares multitudinárias culminaram na eleição em 2005, de Evo Morales, dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS), como o primeiro presidente operário e indígena do país. Os governos de Evo Morales foram marcados por importantes concessões às massas trabalhadoras bolivianas; mas também por sofrer constantes tentativas de desestabilização golpista por parte da burguesia crioula lumpen e racista da chamada “Media Luna”, nos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, comprometidos com a perpetuação do capitalismo dependente reinante no país.

A grande debilidade dos governos de Evo e do MAS no entanto, assim como dos demais governos da chamada “onda progressista” na América Latina dos anos 2000, foi sua limitação em relação ao avanço para uma política revolucionária e socialista, que possibilitasse quebrar o poder das classes dominantes, promover a integração latino-americana contra o poderio do imperialismo estadunidense e romper com a estrutura econômica do capitalismo dependente e com o subdesenvolvimento. Como se vê, tal tarefa é comum a todos os países de nosso continente e, portanto, necessita de uma concreta política revolucionária e integracionista, sem o qual, qualquer mínima concessão aos povos trabalhadores, ou qualquer pretensão limitadamente nacionalista, não pode ser tolerado pelas burguesias crioulas de Nossa América, sempre a reboque e servil aos interesses de Washington.

Ao não avançar para uma perspectiva claramente revolucionária e ao manter em linhas gerais a estrutura do capitalismo dependente, deixando intacto o poder de classe da burguesia e suas forças de repressão, bem como boa parte de toda a superestrutura de um Estado burguês dependente, o MAS, partido de Evo, mergulhou em profunda crise e divisões internas, como a ocorrida entre Evo Morales e Luís Arce, que favoreceu à chegada da direita puro sangue ao controle direto da máquina estatal, expresso na figura do ultraliberal Rodrigo Paz na presidência da república.

Poderíamos também afirmar que a desestabilização política que têm ocorrido na Bolívia nos últimos anos, também atinge praticamente todos os países latino-americanos. A crise geral que toma conta do regime capitalista mundial e no centro mesmo do coração imperialista, se repercute de forma muito mais agravada, intensa e desumanizada, nos países de capitalismo de origem colonial, hiper tardios e dependentes, como os nossos.

Em seu declínio irreversível, o capitalismo não pode mais permitir qualquer agenda política de caráter reformista, sobretudo nos países dependentes, onde o eixo central da acumulação burguesa está assentada na superexploração selvagem sobre os trabalhadores. É neste contexto que devemos situar o avanço do guerreirismo de classe da burguesia da “Media Luna” em Bolívia, da crise do chamado “progressismo” na América Latina e da ofensiva imperialista e fascistóide contra os povos oprimidos em todo o mundo.

A nova agenda golpista do imperialismo, suas ameaças terroristas contra Cuba, Venezuela, Irã, Palestina, Líbano, Bolívia, etc; o avanço da extrema direita fascista na América Latina e no mundo, são todas expressões de uma tentativa por parte do sistema de dominação imperialista e da burguesia internacional, reconfigurar o capitalismo diante de sua crise histórica e que para tal, necessita, assim como um vampiro para se manter vivo, sugar o sangue de toda a classe proletária e das massas trabalhadoras em todo o mundo, o que significa na atual fase do regime burguês decadente, radicalizar ainda mais a superexploração, aprofundar a miséria, o descarte de uma massa “sobrante” da população, mercantilizar por completo a sociedade para abrir novos raios de acumulação e recrudescer a guerra, a mortandade e destruição de forças produtivas, para tentar dar viabilidade ao capitalismo senil.

Neste contexto, a rebelião popular revolucionária do povo boliviano, é uma lição viva da pedagogia de luta e enfrentamento de classe, contra os exploradores e o monstro imperialista. A vitória dos trabalhadores na Bolívia, certamente servirá como uma centelha, que pode incendiar toda a nossa região, assim como ocorreu no início dos anos 2000.

Longe da pretensão de propor dar lição de como conduzir sua luta aos irmãos combativos bolivianos, pensamos que para avançar rumo a vitória contra a burguesia de rapina, é necessário um claro programa revolucionário, um norte político e uma forte vanguarda, que pode ressurgir no contexto boliviano, com a crise do MAS, apesar da autoridade de Evo Morales, diante das massas. O apoio ativo e concreto da esquerda e de todos os trabalhadores latino-americanos ao povo boliviano torna-se mais do que necessário, é imprescindível mesmo, neste período marcado pela ofensiva coordenada da extrema direita burguesa e do imperialismo em nossa região.

A rebelião popular em Bolívia é parte integrante e inseparável das lutas dos povos de Venezuela e Cuba, para ficarmos nos dois exemplos mais candentes do embate anti-imperialista em Nossa América. Precisamos urgentemente articular formas e instrumentos que possibilite internacionalizar e integrar as lutas populares de nossos povos contra as burguesias e o imperialismo em nossa região, visando taticamente superarmos o isolamento e a fragmentação de nossas forças, que muito interessa ao inimigo de classe.

De qualquer forma não temos a menor dúvida de que, a vitória histórica dos trabalhadores bolivianos contra sua burguesia racista e de rapina, será também um duro golpe contra o imperialismo e um importante alento e exemplo para despertar a todos os povos oprimidos de Nossa América.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

106 ANOS DE FUNDAÇÃO DA 3ª INTERNACIONAL * Roberto Bergoci - SP

106 ANOS DE FUNDAÇÃO DA 3ª INTERNACIONAL

Roberto Bergoci - SP

106 ANOS DE FUNDAÇÃO DA 3ª INTERNACIONAL
No dia 24 de janeiro de 1919, o Comitê Central do Partido Comunista Russo (novo nome do Partido Bolchevique), junto das direções dos partidos comunistas de diversos países que estavam na Rússia Soviética, como Partido Socialista Operário norte- americano, Partido Comunista húngaro, polonês, alemão, letão, austríaco, finlandês e mais a Federação Socialista Balcânica, lançam um impactante chamado ao primeiro congresso da nova internacional revolucionária dos trabalhadores. Estava nascendo a III Internacional, ou Internacional Comunista. O chamado lançado pelos partidos comunistas, explicita a necessidade imperiosa de uma nova internacional, que correspondesse à nova etapa que adentrava a sociedade burguesa, marcada profundamente pela formação e acirramento dos monopólios e dos cartéis de grandes grupos capitalistas. Essa etapa da sociedade burguesa foi caracterizada de forma clássica por Vladimir I. Lenin, no livro Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, de 1917.


Após a completa degeneração da II Internacional e dos partidos socialdemocratas reformistas que a compunham, sobretudo o partido socialdemocrata alemão de Karl Kaustsky, que havia apoiado a Primeira Guerra Mundial imperialista, os revolucionários internacionalistas fortemente influenciados pela revolução russa de 1917, dirigida por Lenin e Trotsky, percebem a importância da criação de uma nova internacional, que combateria mundialmente o capitalismo de forma orgânica e centralizada.


Segundo o chamado de fundação da III Internacional:
“Os partidos e organizações abaixo-assinados consideram como uma necessidade imperiosa a reunião do primeiro congresso da nova Internacional revolucionária. Durante a guerra e a revolução, não somente se manifestou a completa bancarrota dos velhos partidos socialistas e socialdemocratas e com estes a da II Internacional, como também a incapacidade dos elementos centristas da velha socialdemocracia na ação revolucionária. Ao mesmo tempo se distinguem os contornos de uma verdadeira Internacional revolucionária”.


Os doze pontos elaborados pela direção da Internacional, descrevem as táticas e condutas dos partidos socialistas e comunistas que a integravam. No chamado, fica patente a necessidade da derrubada do capitalismo, que adentrava numa época de crises agudas e decomposição e que a tarefa do proletariado revolucionário era a tomada do poder pelos trabalhadores contra a burguesia decadente internacionalmente.


O 1.º Congresso da nova Internacional, se reuniu na Rússia soviética, entre os dias 2 e 6 de março de 1919 e se deu em meio à Guerra Civil que o imperialismo levava adiante contra a pátria revolucionária. No discurso de abertura do Congresso, Lenin afirmava: Por mandato do Comitê Central do Partido Comunista Russo, declaro aberto o primeiro congresso da Internacional. Antes de mais nada, lhes peço que nos levantemos para honrar a memória dos melhores representantes da III Internacional: Karl Liebcknecht e Rosa Luxemburgo”. Esses dois gigantes do proletariado haviam sido assassinados recentemente pela socialdemocracia alemã. Os bolcheviques, sobretudo Lenin e Trotsky, sabiam muito bem que sem a expansão da revolução proletária pelos principais países da Europa, a revolução poderia ser estrangulada pelas forças do capital imperialista, pois a Rússia soviética continuaria isolada em meio ao mar capitalista.


Segundo retrospecto de Lenin no 3.º Congresso da Internacional: “Compreendíamos perfeitamente que a vitória da revolução era impossível [em nosso país] sem o apoio da revolução internacional e mundial. Tanto antes como depois da revolução, pensávamos: ou a revolução acontece, se não imediatamente, pelo menos muito em breve nos outros países mais desenvolvidos do ponto de vista capitalista, ou então estaremos condenados a perecer”.


Dessa forma, como bem disse Zinoviev: “Desde seu nascimento a III Internacional liga seu destino ao da Revolução Russa”.


Diferente da I Internacional de Marx e Engels, que possuía um caráter de frente única entre diversas tendências do movimento operário, como comunistas, socialistas, anarquistas, sindicalistas, etc., e da II Segunda Internacional, que era uma espécie de federação de partidos socialdemocratas e socialistas, a Terceira funcionava de acordo com os critérios do centralismo democrático, defendido por Lenin em sua concepção de partido operário. Ou seja, baseado na experiência da Revolução de Outubro de 1917 e na nova etapa da mundialização do capital imperialista, a III Internacional foi formada como um partido mundial da revolução socialista, um agente e guia internacional da derrubada do capitalismo.


Os primeiros quatro congressos da Internacional Comunista significaram um profundo avanço programático para a luta dos trabalhadores. Nestes estão inseridos a luta contra o oportunismo, o sectarismo, o ultra esquerdismo, a Frente Única, além de importantes resoluções quanto à questão da mulher, dos negros, da luta dos povos semicoloniais e coloniais, mas também do trabalho dos comunistas nos sindicatos e nas fábricas.


Na resolução sobre a tática, por exemplo, votada no Terceiro Congresso em junho de 1921, se percebe uma atualidade irretocável: “(...) é necessário tomar cada necessidade das massas como ponto de partida da luta revolucionária, que em seu conjunto poderá constituir a corrente poderosa da revolução social. Porém, para realizar essa tarefa, os partidos comunistas devem propor as reivindicações cuja realização constituem uma necessidade imediata e urgente para a classe operária e devem defender essas reivindicações nas lutas de massas, sem se importar em saber se são compatíveis ou não à exploração agiota da classe capitalista”.
A degeneração stalinista


O período do Termidor soviético, conforme definido por Leon Trotsky no capítulo V do livro A Revolução de Traída de 1936, como “a vitória da burocracia sobre as massas”, foi cruel para a sobrevivência da Internacional Comunista. O agravamento das condições de saúde de Lenin, o isolamento do Estado operário sabotado economicamente pelo mundo capitalista, os estragos causados pela Guerra Civil, o abatimento das massas, entre outros fatores, favoreceu o avanço da burocratização do Estado operário soviético, do Partido Comunista Russo, mas também e, fundamentalmente, da Internacional.


A política reacionária do “socialismo em um só país”, que expressava o conservadorismo da casta burocrática encabeçada por Stalin, dominou a política da Internacional Comunista desde a morte de Lenin. Em 1927, a política de colaboração de classes levada adiante pela burocracia, levou à derrota da revolução chinesa: Stalin e toda a direção da Internacional burocratizada submeteu o partido comunista chinês ao nacionalismo burguês do Kuomitang, dirigido por Chiang Kai-Shek, que em seguida promoveu um massacre contra os revolucionários.


Nessa época, a burocracia rompendo com a da Frente Única, votada no IV Congresso da Internacional, passou a defender as Frentes Populares, que amarravam o proletariado às burguesias ditas “progressistas”, levando à diversas derrotas dos trabalhadores. Em seguida, nos anos de 1930, dando um giro qualitativo, a direção termidoriana entra no seu “terceiro período”, caracterizado por um ultra esquerdismo extremado, não menos nocivo que seu apoio às Frentes Populares.


Igualando a socialdemocracia ao fascismo, a “teoria” stalinista do “social-fascismo” se negava, mesmo na iminência do perigo nazista, em articular a frente única do Partido Comunista alemão com os trabalhadores socialdemocratas, facilitando dessa forma a subida de Hitler ao poder e abrindo anda mais o caminho para a Segunda Guerra Mundial, levando Trotsky a declarar morta a Internacional Comunista e a criar a IV Internacional, baseada nos quatro primeiros congressos da Terceira.


Após a Segunda Guerra Mundial Stalin, levando adiante a política de coexistência pacifica com o imperialismo, dissolveu oficialmente a III Internacional, mostrando à burguesia mundial sua disposição em ser um freio contra a revolução proletária e um dos sustentáculos da ordem burguesa.


Apesar da burocratização e traição stalinista, a III Internacional além de extremamente atual e necessária, ficará para sempre como um exemplo de combate e da necessidade da luta internacional intransigente do proletariado revolucionário contra a burguesia e o imperialismo, um verdadeiro legado de nossos heroicos camaradas que a fundaram, sobretudo os bolcheviques dirigidos por Lenin e Trotsky. Neste sentido, reivindicamos seus quatro primeiros congressos como patrimônio da classe trabalhadora mundial!
A necessidade do combate internacional contra o capitalismo


O internacionalismo proletário, ou seja, a união internacional dos trabalhadores para a sua luta política contra o capital, constitui-se num dos princípios fundamentais do socialismo cientifico. Surge mesmo, do caráter cada vez mais internacionalizado da economia capitalista e das suas forças produtivas, muito diferente da sociedade feudal ou agrária pré-capitalista, que mantinha uma estrutura fragmentada baseada em pequenos Estados, além de relações sociais e políticas estreitas, que impediam de fato o desenvolvimento das forças produtivas.


De acordo com Marx e Engels:
“Impelida pelas necessidades de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo terrestre. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte.” (Manifesto Comunista de 1848). Dessa forma, se o regime capitalista tende para a mundialização de suas relações de produção e se o capital desloca geograficamente e constantemente suas contradições, a luta dos trabalhadores possui em essência um caráter internacional contra a burguesia.


Podemos observar este fato empiricamente nos dias atuais, na chamada “globalização neoliberal”. Na atual fase do capitalismo, marcada pela completa desregulamentação da circulação de capitais por parte dos Estados burgueses modernos, as grandes empresas multinacionais têm deslocado constante e permanentemente seus empreendimentos pelo globo, em busca de baixos salários, condições degradantes de labor, benefícios fiscais por parte dos Estados nacionais e etc., que na prática e em última instância barateiam os custos de produção e incrementam as condições de concorrência por parte dos grandes monopólios. Mas do outro lado da moeda, põem os operários na defensiva, acirram a concorrência entre os proletários de diversos países e precarizam e degradam as condições mais básicas de sobrevivência dos trabalhadores, sobretudo nos países dependentes e semicoloniais da Ásia, África e América Latina.


Um acontecimento histórico atual, que deixa bem claro o fato de que, no capitalismo, as lutas de classes, assim como as relações de produção burguesas e as forças produtivas, ultrapassam seus limites nacionais, mesmo no terceiro mundo onde ocorrem lutas nacionalistas e anti-imperialistas. Na Venezuela, por exemplo, é possível observar de forma clara e objetiva, como as forças do capitalismo internacional atuam em conjunto para levar adiante seus interesses de pilhagem colonial entre as diversas facções da burguesia imperialista. Se não for socorrida pelo proletariado internacional, em primeiro lugar da América Latina, as massas venezuelanas terão sérias dificuldades em resistir ao criminoso assédio imperialista, articulado internacionalmente. O exemplo venezuelano possui todo um valor pedagógico para os trabalhadores: a burguesia, apesar de suas contradições, sempre que necessário e quando se trata de defender seus interesses de classe atua para si em nível internacional contra os trabalhadores e estes só podem responder de forma efetiva também na arena da luta de classes internacional.


Essa rotatividade internacional do capital está diretamente conectada à fase imperialista da economia mundial burguesa, onde predomina a exportação de capital em detrimento à de mercadorias. Como nos diz Lenin: “O que caracteriza o antigo capitalismo, onde reinava a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo atual, onde reinam os monopólios, é a exportação de capitais.” (Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo).


Assim sendo, a burguesia, apesar das profundas contradições em seu interior, utiliza como escudo contra a luta nacional dos trabalhadores, a internacionalização das forças produtivas e o deslocamento de suas contradições no interior dos Estados nacionais para a arena da economia mundial. Dessa forma, a luta dos trabalhadores para ter êxito contra o capital necessita ser internacional. Como diz o filósofo trotskista George Novack, citado no livro de Alicia Sagra, História das Internacionais Socialistas, editora Sunderman, de 2005:
“O internacionalismo não é um dogma, nem um sonho, nem uma ideia sentimental, impossível de realizar. Para os materialistas, o internacionalismo é o reconhecimento e a compreensão da realidade e das necessidades da civilização contemporânea. Estas bases materiais sociais da economia mundial constituem os verdadeiros fundamentos do internacionalismo marxista.”.


A atual e profunda crise orgânica pelo qual passa a sociedade burguesa em todo o mundo exige uma resposta também mundializada dos trabalhadores. O grande capital imperialista tem implementado, na prática, uma ofensiva histórica contra o proletariado em todos os países. Em nível mundial, a burguesia tem estabelecido um novo padrão de acumulação, baseado num rebaixamento internacional acentuado do padrão de vida das massas e na espoliação selvagem de sua existência. A lógica disso é que, o capital tem conseguido nivelar relativamente e por baixo, a taxa de exploração internacional dos trabalhadores.


Este processo contrarrevolucionário se acentuou sobremaneira, com a restauração capitalista na União Soviética e na China, resultando numa ofensiva brutal tanto econômica e política, como ideológica, contra o operariado de todos os países.


No entanto, todos os mecanismos de contenção da resistência operária, estão absolutamente comprometidos devido ao aprofundamento irreversível da crise global e universalizante, que atinge o regime burguês em seu conjunto. O regime de acumulação neoliberal colocado em marcha após a derrocada das políticas econômicas keynesianas, está falido e esgotado, sendo vetor de profundas e constantes instabilidades no coração da ordem burguesa.


Com a completa mundialização das forças produtivas do capital, esgota-se assim suas possibilidades de expansão, restando ao capital lançar mão de suas forças destrutivas contra a própria humanidade. Mas por outro lado, as condições materiais para a emancipação dos trabalhadores e do conjunto da humanidade estão dadas.


Se os trabalhadores vivem uma crise de direção revolucionária, devemos afirmar com base na realidade objetiva que a burguesia vive crise pior. Toda a superestrutura da sociedade burguesa está contaminada pela profunda crise orgânica do regime capitalista, diminuindo decisivamente as condições das classes dirigentes deslocarem suas contradições profundas e insolúveis, como lançavam mão num passado distante.


O proletariado tem a vantagem de se encontrar do lado certo da maré histórica. Como toda a história tem mostrado, os períodos que antecederam os grandes embates das lutas de classes, foram precedidos por épocas contrarrevolucionárias. Depois do desgaste dos principais mecanismos de contenção burgueses, o próximo período será o do ascenso operário, que necessita urgentemente superar a crise de direção.

Batalhar pela criação dos partidos revolucionários em cada país é tarefa de suma importância para o proletariado em seu embate de vida ou morte contra a burguesia no terreno nacional, mas não basta: a atual época histórica cobra mais do que em qualquer outro período, a criação do partido mundial da revolução, arma decisiva para o proletariado em sua luta pela derrubada do capitalismo internacionalmente.


Como o grande revolucionário russo Leon Trotsky nos ensinou em suas teses publicadas no Epílogo da edição de Sunderman de 2012, de A Revolução Permanente (de 1930):
“A revolução socialista não pode ser concluída nos marcos nacionais. Uma das principais causas da crise da sociedade burguesa reside no fato de que as forças produtivas por ela engendradas tendem a ultrapassar os limites do Estado nacional. Daí as guerras imperialistas de um lado, e a utopia dos estados Unidos burgueses da Europa do outro. A revolução socialista começa no terreno nacional, desenvolve-se na arena internacional e termina na arena mundial. Por isso mesmo, a revolução socialista se converte em revolução permanente, no sentido novo e mais amplo do termo: só termina com o triunfo definitivo da nova sociedade em todo o nosso planeta.”.


Diante da enfermidade de morte que atinge cronicamente a sociedade burguesa senil, que nada tem mais a oferecer à humanidade, a não ser desemprego, fome, guerras e destruição, se faz cada vez mais atual o chamado dos dois gigantes do proletariado internacional Marx e Engels, no Manifesto Comunista: “ Trabalhadores de todos os países, uni-vos!”.


ROBERTO BERGOCI - SP
texto publicado originalmente no jornal
GAZETA REVOLUCIONÁRIA
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