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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

AVANÇA A CRISE DO IMPERIALISMO NO ORIENTE MÉDIO E NO MUNDO * Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB

 AVANÇA A CRISE DO IMPERIALISMO NO ORIENTE MÉDIO E NO MUNDO

Texto: Roberto Bergoci/SP
Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB


*A crise do colonialismo imperialista

O aprofundamento da limpeza étnica, traduzida em genocídio, cometida pelo Estado sionista de Israel se radicaliza. Desde o dia 08 de outubro as forças militares sionistas tem atacado indiscriminadamente a Faixa de Gaza tendo como alvo principais hospitais e a infraestrutura da região. Bombardeios intensos atingiram covardemente comboios de palestinos que se deslocavam de suas regiões sob ordens dos próprios militares israelenses. Num dos ataques mais criminosos e repugnantes, as forças militares do sionismo atingiram um hospital batista, matando mais de 500 pessoas, grande quantidade de mulheres, crianças e idosos.

Até o momento, segundo dados da ONU, quase 10 mil palestinos já foram brutalmente assassinados pelas bombas de Israel, destes, mais da metade estão entre mulheres e crianças. Tal fato, se somarmos as mulheres grávidas que não terão condições de terem um parto seguro e minimamente viável, além do bloqueio que o governo fascista israelense impôs em relação a ítens básicos de caráter humanitário como comida, água, medicamentos e insumos hospitalares; combustível, internet, etc., significa uma forma de ampliação do genocídio sistemático cometido por Israel, que impossibilita de forma deliberada as condições de reprodução do povo palestino, expressão macabra de mais um novo episódio da limpeza étnica que se mistura ao genocídio de um povo. Dessa forma, os sionistas calculam ocupar por completo a Faixa de Gaza e ampliar seu domínio sobre o que resta de território palestino, uma necessidade imperiosa para o caráter da colonização expansionista do sionismo.

*Esmagar o sionismo na Palestina, no oriente médio e no mundo!

A imprensa mercenária mundial da burguesia são mais do que cúmplices dessa barbárie; na verdade, a grande mídia capitalista é um agente direto da política colonialista e genocida de Israel e dos Estados Unidos. O papel cumprido pelos escribas de aluguel da burguesia, é de promoverem e acentuarem a propaganda de guerra, promover um clima psicológico adequado a ofensiva destrutiva do sionismo com as bençãos do imperialismo ianque e demais países imperialistas europeus. A imprensa burguesa é o elemento por excelência da guerra psicológica e agentes diretos da barbárie.

*Fortalecer a ofensiva internacional dos povos contra Israel e o imperialismo estadunidense!

O ataque que o Hamas levou adiante dentro das próprias fortalezas da pátria sionista, foi um dos mais ousados atos cometidos pela resistência palestina desde 1948. Tal iniciativa da resistência palestina provocou uma grave crise, não só no interior do governo fascista de Benjamín Netanyahu, mas também internacionalmente, promovendo um abalo em toda a geopolítica mundial.

A questão Palestina, tão desprezada nos últimos anos voltou à tona. O regime do Apartheid israelense passa pela mais grave crise em sua história e Israel encontra-se completamente desmoralizado e desmascarado internacionalmente. Organismos do imperialismo como a ONU, entraram em completa falência e as burguesias europeias, estadunidense e árabes, estão sendo pressionadas por seus povos a romperem relações econômicas e diplomáticas com Israel.

*Fortalecer a resistência Militar e civil contra o terrorismo de Israel!

Grandes mobilizações tomam conta da Europa, Estados Unidos e Ásia Ocidental. Na América latina, os povos também começam a sair às ruas contra a barbárie sionista e exigem de seus governos, o total rompimento com Israel.

A resistência palestina impôs dessa forma, duro revés não somente a Israel, mas também ao imperialismo, que enfrenta fortes mobilizações no interior da pátria ianque. A conjugação do avanço da crise geral do capitalismo mundial, do genocídio cometido por Israel e sua consequente desmoralização mundial, somado ao crescimento da mobilização popular, pode significar profundos abalos na geopolítica imperialista, que está neste momento, sofrendo humilhante derrota na Ucrânia. Estamos na iminência do recrudescimento geral das lutas dos povos em todo o mundo.

*Viva a resistência militar palestina!

Nestas condições, é preciso o fortalecimento de vanguardas revolucionárias que saibam se inserir no movimento de massas e canalizá-los para a via da revolução socialista, que destrua o Estado burguês e implemente as bases de uma economia planificada internacionalmente.

A resistência heróica do povo palestino é hoje, a grande expressão e maior epicentro da luta mundial da classe operária e das massas populares contra o imperialismo e o capitalismo em crise estrutural. Uma derrota contundente dos genocidas sionistas será um duro golpe nono imperialismo. Portanto, defender a resistência palestina, armada e civil/popular, é defender a luta mundial contra o imperialismo e o regime capitalista mundial.

Para tanto, é solidariedade militante ao Hamas e as demais forças da resistência palestina que combatem o Estado sionista. É preciso unificar as forças dos grupos armados árabes, sobretudo o Hezbollah, Hamas, etc., contra as forças militares covardes do sionismo; também, é necessário a combinação de um levante generalizado dos povos árabes, junto de uma forte mobilização dos trabalhadores em todo o mundo, contra o Estado fascista e genocida de Israel.

No Brasil, crescem os atos de rua em apoio ao povo palestino. Mas é preciso que seja articulado em nosso país, uma forte campanha militante e de massas contra Israel. É necessário a coordenação de um tal movimento em âmbito nacional.

Exigimos da parte do presidente Lula a completa ruptura econômica e diplomática com Israel e que seu embaixador e consulares sejam expulsos do Brasil.

*Solidariedade militante ao Hamas e demais grupos da resistência!

Também defendemos o imediato cessar fogo por parte de Israel, sabendo que não basta para a resolução dos interesses imediatos e históricos do povo palestino, pilhados e assassinados de forma contínua desde a criação artificial do Estado sionista e racista colonial. Dessa forma, defendemos a retomada de um Estado palestino laico e democrático, com total restauração das fronteiras e direito efetivo do povo originário às suas terras no espaço geográfico anterior a 1948. As demandas históricas do povo palestino somente podem vir a luz e tornar-se realidade concreta, com o fim do Estado supremacista, colonial, racista e de Apartheid, que é Israel, sustentado pelo imperialismo estadunidense e europeu, por se tratar de um enclave geopolítico na região estratégica, devido suas fontes energéticas e localização geográfica.

*Abaixo o Estado fascista e genocida de Israel!

A proposta sionista-imperialista dos dois Estados definitivamente ruiu desde o fracassado Acordo de Oslo. O progressivo avanço dos assentamentos judaicos na região da Cisjordânia, o recrudescimento da política racista e supremacista oficial por parte de Israel, são exemplos do caráter expansionista do próprio modo capitalista de ser e estrutura do Estado sionista. Somente a luta dos trabalhadores do mundo e dos povos árabes em particular, podem impor uma derrota histórica e inviabilizar o projeto imperialista que é o sionismo.

Por uma campanha mundial de solidariedade dos povos em defesa do povo palestino!

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

NARCO/ESTADO/IMPERIALISMO * Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB

NARCO/ESTADO/IMPERIALISMO
UM DIÁLOGO ENTRE CAMARADAS:

CAMARADA 1 

- Seria o momento de abordar o narco como instrumento do imperialismo. O desgaste que um ataque desse tipo, coordenado em várias cidades de um Estado como o Rio de Janeiro, tomando toda a região metropolitana, com milhões de habitantes, paralisando toda atividade econômica, é exatamente o tipo de evento que interessa às figuras tipo Trump para decretar intervenção militar estrangeira, a título de que o governo local não tem condições para combater o narcotráfico. Ou seja, a acusação de terrorismo que antes era a ferramenta para justificar essas intervenções, agora é um simples "sacode " do crime organizado contra uma população indefesa exposta a todo tipo de violência, desde a inoperância do governo de plantão até a inexistência de articulação das forças militares institucionais.

CAMARADA 2 

- Olha, camarada. Esse fortalecimento dos "exércitos" de lumpens desclassados, tem se dado em todo o Brasil praticamente. São Paulo, o centro burguês do Brasil, também está sendo tomado pelo crime.

O narcotráfico e os ganhos com as drogas de tipo mafioso, tem sido uma forma alternativa de acumulação capitalista num contexto marcado pela queda das taxas de lucros na economia real, devido ao que Marx caracterizou como avanço da composição orgânica do capital, ou seja, a sobreposição do trabalho morto sobre o vivo.

No outro lado da moeda estão os contingentes de jovens desempregados estruturalmente, expulsos do mercado formal de trabalho, viraram massas sobrantes na sociedade burguesa tardia, que não pode mais inserir produtivamente enormes quantidades de seres humanos. Esse "dejeto" humano-pela ótica do capital-é a mão de obra não qualificada desse crime "organizado" que cresce em todo o nosso continente, e são os soldados razos, buchas de canhão nessa guerra informal que atinge os centros urbanos nas grandes cidades de nossa América. Expressão clara, objetiva da decomposição mesmo da civilização burguesa.

O que fica claro, é que as políticas de militarização exacerbada e encarceramento sistemático das massas empobrecidas, faliram inapelavelmente. O narcotráfico é um dos grandes negócios no mundo business e fonte de ganhos bilionários no capitalismo em crise estrutural. Portanto, na fase de decomposição geral da civilização burguesa, o mundo do crime é algo que se confunde com a forma de ser da sociedade do capital.

Material e espiritualmente, o narcótico tornou-se algo
que não mais pode ser superado dentro do capitalismo.

Sobre o tema, sugiro os livros:
"Los Narcos Gringos", de Jesus Esquivel;
"As Delícias do Crime ", de Ernest Mandel;
"O Terrorismo de Estado na Colômbia", de Hernando Calvo Ospina
*

terça-feira, 18 de março de 2025

NOTAS SOBRE IMPERIALISMO * Roberto Bergoci/SP

NOTAS SOBRE IMPERIALISMO
Roberto Bergoci.SP

Olha, camarada, o bloco imperialista parece relativamente cindido. Veja a postura crítica, até desafiante do imperialismo europeu em relação a Trump, na questão da Ucrânia. Veja também, o avanço das contradições e do belicismo no mundo capitalista, no contexto das taxações de Trump. O desenrolar da crise capitalista mundial, as tentativas de reestruturação do imperialismo ianque, etc., podem estar abrindo certas fendas entre nossos inimigos, do qual os trabalhadores do mundo e os povos oprimidos podem e devem tirar proveito.

Não temos uma situação revolucionária ainda no mundo. Pelo contrário, permanecemos dentro de um período contra-revolucionário aberto com o fim da União Soviética. No entanto, o bloco imperialista formado desde então para re-dividir o mundo, parece estar se fissurando. Devemos tirar proveito disso. A vitória russa na guerra da Ucrânia representou duríssimo golpe no imperialismo mundial; assim como a resistência palestina armada. É hora de se reestruturar as forças do trabalho internacionalmente. É preciso reconstruir o movimento comunista internacional e estreitar também em nível mundial, as lutas antiimperialistas em andamento.

A crise do sistema de dominação imperialista é aberta e clara. O avançar da luta antiimperialista no mundo hoje, colocaria a burguesia de todos os países numa situação de muitas dificuldades, sobretudo porque o capitalismo atual possui pouquíssimas e limitadas margens para manobrar.

A tarefa mais importante de nossa época é fortalecer partidos e organizações comunistas revolucionárias nos países. Essa é uma condição de primeira importância.

Também, é necessário trabalharmos para organizar fóruns internacionais dos trabalhadores e dos povos oprimidos, que possibilitem internacionalizar as lutas sociais e antiimperialista.

No Brasil precisamos fortalecer uma frente da esquerda revolucionária, que pode começar pequena e débil, porém pode crescer e fortalecer-se através de um programa sério e consciente, de uma bússola para atuar e sobretudo, se romper com o sectarismo infantil.

UM PARÊNTESE

Uma experiência pessoal recente, sobre essa questão:
Na última sexta feira 14 de março, minha sogra faleceu por complicações relacionadas a um AVC e uma parada cardíaca em um hospital municipal em Guarulhos, grande São Paulo. Ela havia dado entrada no mesmo hospital no dia anterior pela manhã, com dores abdominais.

Após passar por procedimento médico e exames sanguíneos e raio-x, foi constatado um problema relacionado aos rins. A médica que a atendeu, por precaução, decidiu pela internação e medicação. No entanto, no hospital (principal hospital público de Guarulhos) não havia leito disponível e a idosa de 70 anos teve de aguardar pela madrugada de quinta feira adentro, o aparecimento de um leito para seus cuidados.

De nada adiantou as cobranças duras que fizemos, pois o problema é estrutural: o sistema está sub financiado; as instalações e mesmo a estrutura hospitalar como um todo, conforme podemos ver de perto, completamente sucateadas, faltando inclusive insumos básicos para atendimento, como aventais, etc., para os pacientes.

O hospital se encontrava lotado, a demanda por atendimento estava crescendo, enquanto o número de funcionários era muito reduzido no local. Uma situação absolutamente caótica e traumática mesmo.

Após conseguir um leito precário já pela manhã da sexta feira dia 14, minha sogra teve complicações, que acredito serem devido ao problema renal e teve dificuldades em urinar. Neste instante, a médica que a atendia prescreveu o uso de uma sonda, para fazer uma drenagem no local. Neste momento, podemos ver o despreparo assustador de parte dos trabalhadores da enfermagem, que não conseguiam realizar o procedimento.

 Talvez seja despreparo, porém o mais certo seria caracterizar a condição, como sobrecarregados devido à dialética macabra entre quadro reduzidíssimo de funcionários e uma demanda assustadora de doentes buscando uma salvação.

O resultado foi que neste quadro precário de atendimento, entre idas e vindas e sem uma atenção necessária, minha sogra sofreu um AVC, seguido por uma parada cardíaca, vindo a óbito em seguida, no mesmo dia 14 de março último; um dia após ter dado entrada no hospital de urgência lúcida e com dor abdominal que já estava sob controle.

No entanto, fato marcante, foram as inúmeras cenas de barbárie e de desumanidade assustadoras da qual presenciei pessoalmente dentro de um hospital municipal tradicional em Guarulhos, terceiro município mais rico do estado de São Paulo e com um PIB considerável, entre os maiores das cidades latinoamericanas. Se isso acontece num município de grande porte industrial e rico, como Guarulhos, imaginem a situação nas pequenas regiões afastadas dos grandes centros, neste país.

A nova fase do capitalismo em decomposição, é pôr em prática de forma selvagem o malthusianismo e darwinismo social sem piedade. É deixar morrer à míngua as parcelas mais empobrecidas das classes trabalhadoras que não podem ser nem mais exploradas pelo capital, pois pela ótica deste regime social criminoso, tornaram-se seres supérfluos dentro deste moinho de gastar gente, como diria o grande mestre Darcy Ribeiro.

Acima, relacionado a esta matéria, relato pessoal, sobre o falecimento de minha sogra num hospital municipal de Guarulhos. Penso ser também a experiência de milhões de brasileiros da classe operária neste país.